Muita gente ainda acredita que os aparelhos auditivos têm o poder de prevenir a perda auditiva ou até mesmo melhorar a audição de forma definitiva. Mas essa crença, apesar de comum, não é verdadeira — e entender como realmente funciona o uso dos aparelhos é essencial para aproveitar todos os seus benefícios.
Aparelhos auditivos não “curam” a perda auditiva.
A função dos aparelhos auditivos não é reverter ou impedir a progressão da perda auditiva. Eles não regeneram células auditivas, não restauram a audição natural e não impedem o avanço da perda, especialmente quando ela está relacionada a fatores como idade (presbiacusia), exposição ao ruído, predisposição genética ou doenças.
O que os aparelhos realmente fazem?
O papel dos aparelhos auditivos é amplificar os sons de maneira personalizada, de acordo com o tipo e grau da perda auditiva de cada pessoa. Além disso, e isso é muito importante, eles ajudam a manter a via auditiva ativa — ou seja, estimulam o cérebro a continuar reconhecendo os sons e os fonemas do dia a dia.
Quando você usa o aparelho regularmente, seu cérebro continua “treinando” para entender os sons. Isso ajuda a evitar a perda de compreensão da fala com o tempo, algo que pode ocorrer se o sistema auditivo ficar inativo por muito tempo.
“Minha audição melhorou quando comecei a usar o aparelho” — será?
É comum que, ao começar a usar o aparelho, a pessoa tenha a impressão de que sua audição “melhorou”. Mas o que está acontecendo, na verdade, é que o cérebro está recebendo mais estímulos sonoros e reaprendendo a interpretar sons que antes estavam “apagados” pela perda auditiva.
Além disso, essa sensação pode ser reforçada pelo efeito de comparação — antes você ouvia pouco, agora ouve mais, então sente que houve uma melhora. Porém, isso não significa que a perda auditiva regrediu, e sim que você está se beneficiando da amplificação sonora e da reativação cerebral que o uso do aparelho proporciona.
Uso parcial, benefício parcial
Outra ideia equivocada é a de que usar o aparelho “de vez em quando” já é suficiente. Na prática, o uso contínuo e consistente é o que garante os melhores resultados. Usar o aparelho só em algumas situações pode até trazer alívio momentâneo, mas não promove a adaptação adequada nem estimula a via auditiva de forma eficiente. Ou seja: quanto mais você usa, melhor seu cérebro se adapta — e maiores são os benefícios na compreensão da fala, no convívio social e na qualidade de vida.
Conclusão
Aparelhos auditivos são ferramentas valiosas, mas não são curativos nem preventivos no sentido tradicional. Eles não evitam que a perda auditiva piore, mas são fundamentais para manter o cérebro ativo, preservar a compreensão da fala e melhorar a comunicação no dia a dia.
Se você tem perda auditiva e já tem indicação para uso de aparelho, não adie o tratamento e use seus aparelhos auditivos de forma contínua. Essa é a melhor forma de cuidar da sua saúde auditiva, do seu cérebro e manter sua qualidade de vida.




